Eu sinto tanto e de tanto sentir me perco no sentido de sentir. Sou inconstante no sentir, e quando penso que acho que sinto tudo, não sinto nada e ainda assim sinto muito por não sentir aquilo que você sente e acredita que eu sinta.
Quando olho para o lado e te vejo, sinto alguma alegria estranha, alegria misturada com a tristeza de não ser sempre aquilo o que eu queria, sempre falta, sempre na falta. Não gosto do pleno e completo estado de ser e sentir, porque depois não sobra mais nada.
De que adianta tanto sentir?
Faço essa indagação, a mesma indagação que a personagem de Clarice Lispector faz: " E depois de ser feliz a gente faz o quê?"
Não, não quero nada certo, nem ter certeza de nada pra não perder a segurança do sentir -se e sentar-me junto a ti. Quero a vastidão de dúvidas, os tantos porquês que a tua boca não diz, mas seus olhos revelam.
Quero que você olhe dentro dos meus olhos e sinta o indecifrável gelar-te pra que na eterna busca do que somos (sou), sentimos (sinto) e vivemos (vivo), estejamos de mãos atadas, almas conectadas na incerteza (ou certeza) de respostas não dadas.
Quero sentir na boca o gosto agridoce da dúvida para assim, não cansar nunca do sentir mais do que já sinto, mas que eu nunca sinta o bastante, tanto que até enjoo, tanto que sobra, mas quero sim, sentir tanto que nunca falte.
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