quinta-feira, 22 de julho de 2010

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"Odeio quem me rouba a solidão sem verdadeiramente oferecer companhia."
 Nietzsche

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Sentir

Eu sinto tanto e de tanto sentir me perco no sentido de sentir. Sou inconstante no sentir, e quando penso que acho que sinto tudo, não sinto nada e ainda assim sinto muito por não sentir aquilo que você sente e acredita que eu sinta.
Quando olho para o lado e te vejo, sinto alguma alegria estranha, alegria misturada com a tristeza de não ser sempre aquilo o que eu queria, sempre falta, sempre na falta. Não gosto do pleno e completo estado de ser e sentir, porque depois não sobra mais nada.
De que adianta tanto sentir?
Faço essa indagação, a mesma indagação que a personagem de Clarice Lispector faz: " E depois de ser feliz a gente faz o quê?"
Não, não quero nada certo, nem ter certeza de nada pra não perder a segurança do sentir -se e sentar-me junto a ti.  Quero a vastidão de dúvidas, os tantos porquês que a tua boca não diz, mas seus olhos revelam.
Quero que você olhe dentro dos meus olhos  e sinta o indecifrável gelar-te pra que na eterna busca do que somos (sou), sentimos (sinto) e vivemos (vivo), estejamos de mãos atadas, almas conectadas na incerteza (ou certeza) de respostas não dadas.
Quero sentir na boca o gosto agridoce da dúvida para assim, não cansar nunca do sentir mais do que já sinto, mas que eu nunca sinta o bastante, tanto que até enjoo, tanto  que sobra, mas quero sim, sentir tanto que nunca falte.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Estraño

Eu sou estranho. Sou uma contradição, me perco nas palavras inúteis que teimo em dizer. Parte de mim quer somente ser, outra parte parecer e aparecer. Por que não?

Me criei assim, pensamentos soltos, sentimentos tortos. Me explico demais e não sei me convencer se estou certo ou se estou errado. Erro muito, sou imperfeito e defeituoso, na minha imperfeição encontro quem se encaixe, quem se ajuste, no final das contas, nossas imperfeições tornam-se nossas qualidades.

Não gosto de falar, mas quando falo sempre passo do ponto. Peco pelo excesso, até pelo excesso da falta. Pelo excesso de incerteza, de ser inconstante. Sou assimétrico, atemporal, não gosto de linhas retas, caminho em círculos e me perco naquilo que eu queria dizer...

domingo, 11 de julho de 2010

[Re] encontro

É estranho reencontrar as pessoas com as quais convivemos um tempo. A intimidade de outrora não mais existe e as pessoas parecem estranhas.

Devagar a gente vai retomando do ponto que parou, silenciosamente observamos traços conhecidos e a pessoa aos poucos e quase sem perceber volta a ser aquela mesma de antes. Não nas atitudes, não pelo direcionamento que a vida tomou, muitas vezes de forma irreversível. Falo da essencia, da particularidade.
É diferente e um pouco incômodo olhar um rosto conhecido sem saber direito quem é e o que se tornou. O tempo passa e embota as pessoas, com o passar dos anos não só os ombros se curvam com o cansaço, mas as decepções e frustrações abatem.

Algumas não, algumas pessoas revigoram-se ao passar desse mesmo tempo, parecem possuir a pedra filosofal, esses a quem o 'tempo' é generoso, a gente conhece mais facilmente, porém é assombroso perceber as modificações sutis que saltam aos olhos.

De qualquer forma, a surpresa foi boa. O reencontro produz conhecimento, crescimento, autoconhecimento. Aquele que falamos tantas vezes e nunca praticamos. Medo,crueza, covardia, comodismo.

O Tempo é outro, poucos reconhecem.